Sistema Coordenado de Produção
Minha proposta consiste na criação de uma imensa rede de empresas (milhares delas) coordenadas por um ente econômico que buscaria a repartição equânime dos resultados entre as empresas participantes da rede. As empresas coordenadas repassariam ao coordenador um grande número de informações e caberia ao coordenador a fixação dos preços dos bens e serviços, tanto nos negócios entre empresas participantes da rede como para venda no mercado ao consumidor final, buscando a distribuição de resultados financeiros de forma justa. A idéia é tornar a relação entre empresas a mais fluida possível, buscando uma eficiência maior do que o encontrado em o sistema capitalista tradicional. Milhares de empresas varejistas, fabris, prestadoras de serviços, funcionando de forma coordenada, buscando alocar de forma ótima os recursos, não através da mão invisível do mercado, e sim por intermédio de uma empresa coordenadora a quem delegariam competência. A intermediação de negócios entre as empresas participantes da rede seria feita pela empresa coordenadora, em uma economia importante de custos para todo o sistema.
Se o coordenador for eficiente e equânime na relação entre as empresas da rede, atraíra empresas advindas do sistema de produção capitalista tradicional que optarão pelo sistema coordenado de produção. Como em um sistema de franquia, onde o franqueador impõe uma série de regras aos seus franqueados, o coordenador imporá condições aos seus coordenados. Listo abaixo algumas sugestões de condições que um bom coordenador poderia impor aos seus coordenados:
1) Sistema de remuneração aos seus funcionários com menos discrepâncias, com participação nos resultados aos funcionários, impondo limites mínimos e máximos de salários e pro-labore;
2) Utilização de energia limpa no processo de produção e elaboração de produtos ecologicamente corretos;
3) Planejamento urbano no sentido de se planejar a localização das empresas a aderirem ao sistema;
4) Sistema de informações que contemple todas os dados relevantes, combatendo a informalidade e a concorrência desleal co a sonegação de impostos.
Um sistema como este não poderia sobreviver na informalidade, trazendo para o campo da legalidade centenas de milhares de empresas que hoje sonegam impostos, na maioria das vezes, por necessidade de sobrevivência. A sinergia desta rede traria economias importantes aos seus participantes, que poderiam em um sistema menos predatório trabalhar dentro da legalidade, diminuindo fortemente a sonegação.
As vantagens deste sistema no sentido de combater a informalidade e sonegação, permitir o planejamento dos campos e cidades seria tão grande que o próprio Estado poderia se candidatar ao cargo de coordenador. Não vejo problemas para tal, assim como poderiam se candidatar organizações não-governamentais ou mesmo empresas com fins lucrativos. A concorrência entre os coordenadores resultaria em um aprimoramento de seus resultados. Não creio ser possível que uma empresa com objetivos de lucros máximos desempenhe bem o papel de coordenador de empresas. Faltariam candidatos a empresas coordenadas. Por sua vez, o simples desapego ao lucro, não garantirá um papel de coordenador eficiente.
Creio ser imenso o número de empresas pequenas e médias que optariam por um sistema em que seu lucro fosse monitorado, evitando o lucro “excessivo” em troca de uma estrutura comercial e ambiente de negócios mais eficiente, com lucros menores porém com menor risco, onde o prejuízo seria somente para empresas totalmente desajustadas em termos de produtividade. Temos um exemplo disto em redes de franquias em que a liberdade do empreendedor é seriamente afetada em troca de maior estabilidade e mesmo assim há um grande número de candidatos a empresas franqueadas.
Tal sistema seria um misto de capitalismo tradicional e economia solidária e poderia se transformar em uma alternativa imediata ao sistema do “cada um por si” atual. Esta é em linhas gerais e resumidas minha proposta de sistema de produção alternativo.
Jorge Niemeyer